Como melhorar a relação entre os irmãos

Como melhorar a relação entre os irmãos

Um dos momentos que mais causam desgostos aos pais é quando os filhos começam a discutir e a brigar entre eles, seja por ciúmes, disputas ou invejas. Mesmo sabendo que vem no pacote “irmãos” nós pais temos que ficar de olho e incentivar o amor e a relação entre eles. A psicologa Denise Machado nos dá dica de como lidar com essa relação amor x ódio dentro de casa.

Após o nascimento da Angela, pensei muito em ter um segundo filho e a vontade se concretizou com os inúmeros pedidos dela, que estava (e ainda está) em uma fase de amor aos bebês. Na barriga ela adorou a idéia de ser irmã mais velha e no dia do nascimento ficou em uma felicidade plena, a imagem do primeiro encontro dos dois é eterna, muito emocionante!

922720_523652811015759_639515315_n

Muito amor junto nessa foto!

Tudo ia bem e com um ciumes moderado, que eu conseguia resolver me dedicando só a ela na brincadeira, no carinho, no almoço em uma conversa. Angela ficou mais “carente” e por uma fase que mesmo grande ainda fazia coisas as mesmas coisas de bebê do irmão. O que mais “pegava” para ela eram as visitas que iam direto pro bebê novo e nem davam a atenção para a mais velha.

Quando Heitor completou 2 anos as coisas mudaram, ele já tem seus gostos, suas brincadeiras, está entendo que agora é um ser independente, não mais extensão da mamãe e as briguinhas começaram. Sempre acreditei que a atitude dos pais diante das brigas e ciúmes dos nossos filhos deve ser de conciliação e moderação. Afinal, somos os pais os governantes da nossa casa!

É comum encontrar conflitos entre irmãos, e os pais se encontram entre a cruz e a espada quando tem de fazer o papel de justiceiros e dar o ponto final em uma briga, que pode chegar, inclusive, a agressões físicas. Nessa hora, também passam diversas preocupações pela cabeça dos pais, tais como: não mimar, não ser rígido demais, manter a paz no ambiente, continuar sendo amado pelos filhos etc.

Como conciliar esse turbilhão de emoções e escolher a melhor atitude?

TENTAR PERCEBER O QUE CADA UM SENTE

Quando uma nova criança nasce na casa, ocorre um rearranjo em toda a dinâmica familiar, fazendo com que todos os papéis, em alguma medida, se desloquem.

Isso também significa, para o irmão mais velho, a necessidade de dividir muitas coisas: os brinquedos, a casa, o centro das atenções nas reuniões de família, e por fim, os próprios pais. Essa pode ser uma experiência dura caso não seja bem conduzida.

Como já é previsto que o irmão mais velho apresente ciúmes (seja através de comportamentos de regressão, através dos quais se infantiliza, ou por agressividade expressa pelo irmão), é importante não apontar demasiadamente as suas falhas. Ele já se sente ameaçado e pode fantasiar diversas coisas a respeito da vinda do irmãozinho.

Incentivá-lo e ajudá-lo a identificar suas potencialidades – através de esportes, por exemplo – pode ser uma boa maneira de valorizá-las e desenvolvê-las, além de contribuir para a formação de novos círculos, que não tem o irmão como centro das atenções.

 163_briga_de_irmaos

BUSCAR O PONTO COMUM ENTRE ELES

Embora cada criança tenha a sua individualidade e precise reconhecer no que é boa e capaz, é recomendável que elas tenham oportunidade de se conhecer melhor, de se ouvir, de cultivar laços. A melhor maneira de fazer isso é através do brincar.

Os irmãos, portanto, também precisam ter um momento de brincadeira juntos, em que possam ir renovando esse olhar que possuem um para o outro continuamente e consigam, inclusive, desenvolver  mútua cooperação, o que auxilia nos momentos de tensão do cotidiano.

BUSCAR JUSTIÇA E AUTORIDADE

Esse assunto pode ser polêmico, mas é de fundamental importância:

Podemos explicar os motivos por que tomamos uma ou outra decisão. Isso favorece que a criança se expresse melhor e consiga dizer o que sente, seguindo o exemplo do adulto. Tem certas decisões, no entanto, que não precisariam ser explicadas; se damos “porquês” a absolutamente tudo o que pedem, ao invés de se tornarem questionadores (o que é positivo), podem se tornar inquisitivos, colocando em dúvida, inclusive, a sua autoridade. Tem “não” que deve ser simplesmente “não”.

 

EVITAR COMPARAÇÕES

Cada criança é única, tem seu próprio jeito, suas tendências, sua forma de brincar e, naturalmente, seus defeitos. Quando comparamos um irmão com o outro, ao invés de incentivar a criança a melhorar, acabamos gerando um sentimento de frustração e inferioridade, pois ela sabe que nunca será como o outro.

Podemos identificar e ressaltar os pontos positivos de cada um, de forma muito tranquila e eficaz, tomando o cuidado de não desmerecer a identidade de ninguém. Sempre há coisas boas a reforçar na personalidade de cada criança.

Lembrem que os atritos podem surgir como uma oportunidade de:

– desenvolvimento

– aprendizagem de novos valores

–  (re)construção da identidade

Um laço entre irmãos bem constituído desde a tenra infância e bem conduzido pelos adultos pode contribuir para uma relação futura mais sólida e capaz de superar os conflitos que possam surgir, inclusive de ordem familiar.

 

DENISE MACHADO

Psicóloga Clínica, formada pela Universidade Federal de São Paulo

Contato: denise.cma@gmail.com, tel. e whats: (13) 99639-1042

Endereço consultório: Av. Carvalho de Mendonça. 93

Consulta mediante agendamento.

PSICOTERAPIA PARA CRIANÇAS COM 40% DE DESCONTO PARA OS PARTICIPANTES DO Clube Brincar 

Sobre o Autor

Thais Oliveira Santos

Jornalista de profissão, sagitariana nata, otimista sempre.De todas as coisas que eu gosto, escrever está entre as 5 melhores. Ser mãe me mostrou uma pluralidade incrível e uma tolerância notável. De tudo que passei, não mudaria nada pra chegar até aqui.

Sem Comentários

Deixe uma resposta