Desmame: como e por onde começar

Desmame: como e por onde começar

Heitor acaba de completar seus 2 anos e como ainda o amamento vejo olhares tortos sempre. Eu não me importo, sempre amamentei onde quis sem pudor nenhum, o meu jeito é assim e meu filho não vai ficar com fome ou mamar com um pano na cabeça (imagina nós almoçando assim?!). Nessa nova fase estamos espaçando as mamadas e inevitavelmente me peguei pensando em como será desmamá-lo. Clica no post e veja como amamentar é mais do que alimentar.

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno por dois anos ou mais, devendo ser a única forma de alimentação da criança nos seis primeiros meses de vida. Ainda assim, são pouquíssimas as mães no Brasil que amamentam seus filhos por mais de dois anos. As razões para isso vão desde dificuldades práticas relacionadas à rotina diária, até a crença de que o aleitamento além do primeiro ano de vida seja danoso para a criança do ponto de vista psicológico.

Levando em consideração que o Aleitamento Materno (AM) faz parte de um processo amplo e complexo de desenvolvimento do individuo, com repercussão na sua saúde física e psíquica, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade ideal para enfrentar este processo. Pois quando a criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronto, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional.

1939817_650984461615926_787067580_n

Heitor mamando com 9 meses, alimento do corpo e da alma

O ideal seria que o desmame fosse feito de forma natural, ou seja, deve ter a iniciativa da própria criança, para isso é importante seguir os “sinais do bebê”. Levando em consideração que o período natural do AM para a espécie humana  vai de 2,5 a 7 anos. Sendo que geralmente o desmame acontece entre os 2 e 4 anos. A minha experiencia com o desmame foi tranquilo na primeira, na verdade não me lembro com riqueza de detalhes como exatamente foi mais ela ja estava na escola e do dia para a noite não quis mais mamar.

Algumas crianças a partir de um ano, já mostram menos interesse pelas mamadas, por já aceitarem alimentos variados e também por aceitarem outras formas de consolo (já que amamentar vai muito além de alimentar). A partir do momento que a criança mostre alguns sinais de que já se encontra “maduro” para essa fase, aí sim se deve iniciar o desmame natural, por exemplo, só dando o peito quando o bebê pedir, propor outras atividades no lugar de mamar, tirar uma mamada ou outra até acontecer o desmame de vez. As vantagens do desmame natural são diversas tanto para mãe como para a criança, entre elas o fortalecimento da relação entre mãe e filho.

Vantagens do desmame natural:
• Transição tranquila, com menos estresse para a mãe e para a criança;
• Preenchimento das necessidades da criança até que ela atinja a maturidade suficiente para o desmame;
• Fortalecimento da relação entre mãe e filho;
• Diminuição da ansiedade materna com relação ao desenvolvimento da criança.

O desmame abrupto não é recomendável, pois pode gerar na criança um sentimento de rejeição e insegurança, causando um comportamento rebelde. Já para a mãe, a interrupção do aleitamento de forma inadequada pode ocasionar ingurgitamento mamário, bloqueio do ducto lactífero e mastite ( eu tive na primeira filha e doi muito, sério!)  além de tristeza e depressão por mudanças hormonais. Mas no caso de necessidade de desmame precoce, o profissional de saúde deve ser procurado para ajudar nesse processo.

Para quem tem duvidas sobre a importância da amamentação, a Sandra Abreu enfermeira do Anjos do leite ajuda as recém-mamães a sanar possíveis dificuldades que possam surgir durante a amamentação e também “preparar” as gestantes para esse momento, ou seja, a ideia é transformar esse momento único e sublime da gestação e pós parto a se tornarem inesquecíveis pelo amor e não por possíveis traumas.

Anjos do Leite_apresentação

Com o Heitor já percebi que será mais prolongado esse desmame, basta eu dizer um “mamar agora não” que o olhar de tristeza é de cortar o coração! É claro que os sinais para ele mostram que não chegou esse momento, o que me incomoda algumas vezes é e ele se desinteressar pela brincadeira do nada e vir correndo pedindo o “mamá”, vejo claramente que para ele eu ainda sou um peito ambulante. Acho que a melhor dica é respeitar você e o seu bebê, observe as ações que ele demonstra e faça o que for te fazer bem!

mamando

Mamando e trabalhando: “MomOffice” não é fácil!

Outra dica bacana é deixar a criança com outra pessoa (pai, avó, tia) quando ele pedir o mamar, se a gente não sair de cena é claro que a situação só piora: stress seu e do pequeno que quer mamar! Aqui tenho tentado que o pai faça dormir, que é a hora que ele mais quer mamar para pegar no sono (os pediatras pira!). A partir dos 2 anos os nossos bebês (que já não são tão bebês assim!) e se alimentando bem, podemos tentar a boa e velha conversa: explicando que o leite está acabando, que ele está crescendo ou até com um brinquedo para distraí-lo.

E o lema principal mães: Seja por quaisquer motivos: volta ao trabalho, período escolher ou simplesmente porque a mulher não se sente mais confortável para amamentar uma criança um pouquinho maior, não precisa haver sentimento de culpa. A mãe tem que estar convicta para passar a segurança necessária.

Espero ter ajudado outras mães e muitas das questões levantadas aqui tenho tomado para mim!

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Ministério da Saúde (MS).

Sobre o Autor

Thais Oliveira Santos

Jornalista de profissão, sagitariana nata, otimista sempre.De todas as coisas que eu gosto, escrever está entre as 5 melhores. Ser mãe me mostrou uma pluralidade incrível e uma tolerância notável. De tudo que passei, não mudaria nada pra chegar até aqui.

Sem Comentários

Deixe uma resposta