O medo na infância é um problema ?

O medo na infância é um problema ?

As férias terminaram e nesse “intensivão” com a minha dupla em casa o que mais ouvi foi: “mãe, to com medo”. E foi tão presente essa frase e com um sentido tão amplo: bichos, brinquedos, novos amigos, situações, brincadeiras, escuro, morte. Agora no blog contamos com a psicoterapeuta Denise Machado que nos orientará com dicas preciosas em como lidar com as diversas situações que iremos passar com os nosso filhos nos mais variados temas. Ela também está no Clube Brincar com desconto para pacotes mensais. 

Sentir medo é até que comum, ainda mais nos dias de hoje, onde vemos tantos absurdos e situações irreais acontecendo pelo mundo. Eu confesso que tenho muito medo de muitas situações em que eles possam viver mais sei tambem que faz parte do crescimento deixar as crianças irem, eles precisam ter autonomia e vivenciar certas situações sozinhos, afinal, não somos eternos certo ?

Com a ajuda da psicoterapeuta Denise Machado pontuamos as principais duvidas sobre o tema e espero que possam acalentar mais corações maternos aflitos, assim como o meu.

O QUE É O MEDO?

O medo é uma função natural de proteção que existe em todas as pessoas, relacionada à prudência. O medo aguça os sentidos, permite que façamos uma análise do ambiente onde estamos e possamos definir o grau de risco que este ambiente nos oferece. Quando estamos atravessando uma rua e está vindo um carro, avaliamos pela distância e velocidade se é possível a travessia. Se o carro está perto, aceleramos o passo, ou seja, modulamos o comportamento de acordo ao risco.

Avaliado o risco, existe uma estrutura chamada Sistema Nervoso Autônomo que prepara o nosso corpo para tomar uma providência.  No nosso exemplo, para atravessar a rua e não ser atingido, precisamos preparar o corpo para correr. O mecanismo é o mesmo para preparar qualquer animal para luta/fuga/descanso. A parte fisiológica do medo, portanto, é ancestral, e é importante para a nossa sobrevivência.

Como já sabemos, o medo não é só físico. O que nos dá medo tem a ver com instintos,  cultura, valores, a nossa visão de mundo e de nós mesmos. E pode ser que tenhamos aprendido a lidar com esse medo de um jeito não tão saudável. O excesso de medo é ruim, nos deixa num constante estado de alerta, que pode inclusive gerar sintomas físicos, como desconforto no estômago, tremor, palpitação, e emocionais, como hipersensibilidade e ansiedade.

Tudo o que é novo e diferente gera medo, inclusive em nós, adultos.

O que acontece com as crianças é que o seu universo é muito dinâmico, repleto de mudanças e descobertas, o que as deixa frequentemente apreensivas. Ela precisa da nossa ajuda, de um ambiente propício para o seu desenvolvimento interno.

 

Dê-lhe pequenos desafios cotidianos

A criança precisa de desafios. Precisa ser estimulada , todos os dias, a dar um pequeno passo.

Como ela depende de nós para muitas coisas, naturalmente o adulto precisa dar oportunidade para que ela se desafie. Não podemos fazer tudo por ela, se não, como ela poderá saber que é capaz?

Podemos estimulá-la a fazer algumas coisas sozinha:  comer , vestir-se , ler uma palavra, tomar banho,  ajudar em pequenas tarefas de casa (tudo de acordo à sua idade, é claro!). Tudo isso faz com que a criança constate sua capacidade e se sinta mais segura.

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Deixar a criança viver a infância

As crianças não devem ser demasiadamente expostas aos problemas da vida adulta. É claro que elas percebem quando tem algo acontecendo, a separação dos pais, a morte de um parente, dificuldade financeira grave etc. Porém, expor a criança a brigas, ciúmes, raiva, fofocas, assuntos financeiros, pode fazer muito mal. A mente dela não concebe alguns aspectos da vida adulta, e por isso, acaba fantasiando acerca do que ocorre. A criança pode entender, por exemplo, quando os seus pais se separam, que o pai não irá mais amá-la porque está saindo de casa.

Tem pequenas coisas que nem imaginamos que gera fantasias, por isso precisamos estar alertas!  Quando atendia no consultório uma criança de 4 anos, o pai me disse que justificava a sua ausência dizendo que estava viajando a trabalho (os pais estavam se separando). Mentira ou não, fato é: dizer para a criança que o trabalho não estava permitindo que eles se visse por um longo período poderia ir gerando uma imagem negativa do trabalho para a criança. Pode ser que ela tenha, no futuro, o medo de que o trabalho o afaste da família.

 Percebem como o que falamos pode gerar insegurança, baixa auto-estima, enfim… medos?

É importante explicar o que está acontecendo, de uma forma que a criança seja capaz de entender, e deixando claro que ela será sempre amada.

Não podemos perder oportunidades!

A hora de ensinar não é quando a criança está na escola, ou quando acontece algo de muito importante. A hora de ensinar é o tempo todo, nas nossas atitudes, nas situações por que passamos, sempre. A cada “pequena” mentira, a cada vez que o adulto dá vantagem pro seu filho ou o defende a qualquer preço (leia-se: injustamente), corremos o risco de criar pequenas rupturas no seu caráter, e quando nos damos conta, sua personalidade já está formada!

Por isso é tão importante ensinar a criança a dividir, a pedir desculpas, a ser responsável pelos seus atos. Não é só um “discurso bonito”. Estamos, na verdade, ensinando a criança a ter critério, a fazer escolhas, e escolher não só o que é melhor para ela, mas para o coletivo onde está inserida.

Com o medo, não é diferente: Não há problema que os pais tenham um medo ou outro…  Eles devem demonstrar, no entanto, que de alguma maneira estão se esforçando para vencê-los. Veja bem: a lição aqui não é ter ou não o medo, mas sim, o esforço em vencê-lo!

 Isso, com o tempo, dará repertório para que a criança possa lidar com novos medos que surjam na sua vida.

Ensinar a criança a generosidade e o altruísmo

Ensinando bons valores para a criança, ela terá uma motivação mais sólida para combater seus defeitos, um incentivo maior do que seus interesses pessoais. Por exemplo: Uma coisa é vencer o medo de se expor para conseguir algo para si; outra é ter que vencer esse mesmo medo para ajudar o seu amiguinho. Se os adultos forem ajudando a criança a perceber como pode ser forte e boa, sua capacidade de superação das adversidades será cada vez maior.

Um passo de cada vez…

Quando nos tornamos pais, não sabemos quem a criança será, que escolhas terá, o que lhe irá acontecer, enfim, como será o seu futuro. Muitas vezes acabamos tendo que deixar nossas expectativas de lado e permiti-la ser ela mesma.

O que podemos ter certeza é que tudo o que façamos deixará marcas profundas na sua história e na sua personalidade. Não digo isso porque “os pais estão proibidos de errar e isso será fatal”. Não é isso! Nós estamos sempre aprendendo e os erros são inevitáveis. Só que é muito importante reconhecer nossos erros e ter um constante esforço em sermos melhores nesse maravilhoso papel que é educar uma criança. Assim, poderemos dar um belo exemplo de perseverança e fazê-la perceber que, não importa o tamanho das suas dificuldades ou dos seus erros: ela também, como vocês, pais, tem todo o potencial para se tornar uma pessoa cada vez melhor.

Leitura de Apoio:

  • Como Sophia educa suas crianças – Elza Pastrello
  • Educação Informativa X Educação Formativa – Jorge Angel Livraga

DENISE MACHADO

Psicóloga Clínica, formada pela Universidade Federal de São Paulo

Contato: denise.cma@gmail.com, tel. e whats: (13) 99639-1042

Endereço consultório: Rua Monsenhor de Paula, nº 76.

Para quem precisa de acompanhamento com a psicoterapeuta participa do Clube Brincar  com 40% desconto para acompanhamentos mensais.

Sobre o Autor

Thais Oliveira Santos

Jornalista de profissão, sagitariana nata, otimista sempre.De todas as coisas que eu gosto, escrever está entre as 5 melhores. Ser mãe me mostrou uma pluralidade incrível e uma tolerância notável. De tudo que passei, não mudaria nada pra chegar até aqui.

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