Quando a maternidade deixa você em segundo plano.

Quando a maternidade deixa você em segundo plano.

Esses dias me peguei pensando o quanto meus planos pessoais ficam em segundo plano. Sim, porque vem no pacote maternidade (e ninguém conta) que os seus desejos, sonhos, vontades ficam sempre pra depois: o mundo exige que a mãe viva para o bebê e não é brincadeira os primeiros meses: a nova rotina, os cuidados e a falta de tempo para descansar. Só que existe uma hora que essa mãe precisa renascer, precisa se enxergar como individuo, agir egoistamente e ter um momento de prazer pessoal.

Confesso que vive presa nesse dilema nos primeiros meses de vida da Angela, fui mãe nova ( 22 anos) e no auge da carreia ideal, almejando grandes conquistas que ainda estão aqui dentro guardadinhas para o dia que eu possa agir por mim por inteira, sabendo que meus filhos estão bem, “criados” e mais independentes.  Não desisti de nada, só adiei por alguns bons anos e ainda pretendo correr atrás do prejuizo no momento certo e se digo isso hoje com tranquilidade, foram anos batendo a cabeça me desdobrando em empregos, horários malucos, terceirização dos cuidados. Pra mim essa sempre era a pior parte, por ser controladora moderada, sempre achei que os cuidados que os familiares oferecidos por obrigação e nunca por alguma ajuda em família. Não sei lidar com caras feias, olhares julgadores, palpites sem cabimento e desrespeito pela minha forma de criação, essas horas é melhor voltar três casas do que ficar dando murro em ponta de faca.

O processo de autoconhecimento sem duvida é lento, cauteloso e muito trabalhoso: ninguém muda do dia para a noite e refazer conceitos e pensamentos dá um trabalho danado, precisa de muita observação e de ponderamento. A maternidade ensina muito, para quem está aberto e disposto a aprender. 

Os primeiros anos da Angela foram bem complicados, a pouca idade fez com que pirasse bonito: todos em volta progredindo e você em casa lavando roupa de bebê, amamentando e descabelada all day dá uma bela mexida na autoestima de qualquer mulher: o primeiro passo é admitir que não está legal: pegue alguém que simplesmente te escute, que não julgue, não diga que a maternidade é assim, que na hora de fazer foi bacana e todas essas babaquices que alguns insistem em dizer: abra seu coração e peça ajuda! Seja para cuidar da roupa da casa, ajudar no cuidados com o bebê, acompanhar no cinema, sair para andar na praia e tomar um suco: não fique sozinha!

Se as crianças já estão maiorzinhas, aposte na escola que mais adeque ao seu perfil de vida e nos horários vagos: invista em você: saia para cuidar do corpo, faça as unhas, se depile. Tire algum momento só seu para se olhar e cuidar novamente como mulher. Ninguém consegue cuidar do outro se não estiver bem. E isso serve para os maridos também: homem que pira mais fácil, também precisa ter um momento com a galera.

Aceitar a nova rotina também facilita tanto o trabalho da maternidade: Se você tem apenas poucas horas para cuidar de si, foque no que importa e corra atrás! A vida de mãe vai ser adequada a rotina dos filhos, se você nao abre mão de ser mãezona, ao longo da rotina você aprende a adequar a vida pessoal x trabalho nas lacunas de horários de escola e atividades da criança.

E o mais importante: não se desvalorize! seja trabalhando dentro ou fora de casa, acredite que o você dá o seu melhor, não se cobre a mais por nada!

Sobre o Autor

Thais Oliveira Santos

Jornalista de profissão, sagitariana nata, otimista sempre.De todas as coisas que eu gosto, escrever está entre as 5 melhores. Ser mãe me mostrou uma pluralidade incrível e uma tolerância notável. De tudo que passei, não mudaria nada pra chegar até aqui.

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